quarta-feira, 9 de setembro de 2009

10 anos de Calangos

Ai caramba! Há dez anos a tinta amarela já estava manchando a roupa branca do Mussarela. Fizemos uma festa para inaugurar a irmandade, e o Salomão, que era dono do imóvel e turco, pintou a casa com giz de cera. Pintou todo mundo. E a Benzica nos recebeu em seu humilde lar com muito carinho. Ela assombrava mais o Minduim, que era o mais medroso apesar do tamanho. No fim acabaram ficando numa boa, Minduim e Benzica, ele só deveria dormir com a luz acesa. Eis o primeiro dia da Calangos. Só não podia chover senão molhava o pessoal. E depois veio o primeiro almoço em família. O Mussa se incumbiu de fazer as honras da casa e foi logo chamando a responsabilidade da alimentação coletiva para si. Resultado: logo na primeira refeição, o arroz queimou. Depois, para se redimir, ele fez outro almoço, mas dessa vez foi pouca a comida, ele ficou com pena de cozinhar o feijão. Dá dó mesmo quando o feijão é graúdo. Ai, vocês podem se perguntar, mas como uma bagaça dessa deu certo? Mas claro que deu, pois nós tínhamos um belo ponta-de-lança, o Pablo, que com sua bagagem e experiência acumulada nos tempos de Ouro Preto nos proporcionou as reuniões necessárias à boa manutenção da República. Êta Rapaz que gostava duma reunião! E ele tinha várias idéias acachapantes, como a proposta da Bandeira, que ainda está tramitando nos bastidores da nova geração. Vida londa à campanha em prol da Bandeiraaaaa! Pois é, foi o mesmo Pablo que incentivou também a nossa conquista do Centro Histórico de Mariana. Então, deixamos a Benzica em paz e nos mudamos para a vizinhança, lá no pátio da escola, uma beleza. Dai, entrou na jogada o Fabriço, que foi morar na divisória. Êta Rapaz que gostava duma divisória! O Fabriço veio para nos salvar. Com seu já famoso e conhecido estilo sisudo, ele imprimiu classe para a Calangos, seriedade, serenidade, elegância, rigor, além de divulgar a nobre cueca de zebra. Pronto, estava formado o primeiro esquadrão Calangos, o rolo compressor da UFOPA, um 4-3-3 que tirava o Zé Arnaldo do sério: Mussa, Minduim, Pablo, Fabriço e este que vos fala. Bom, as histórias são infindáveis, como aquela em que o Minduim se dependurou sobre o orelhão. Até hoje a pergunta não cala: Minduim, o que você estava fazendo pendurado no orelhão? E também teve a salada grega, a macrobiótica do Pablo, a churrasqueira do Rodolfão, uma espécie de turbina portátil, etc. A minha saudade é tão grande que se compara à saudade que o sofá roxo tem do corpo do Mussarela, lembra como se davam perfeitamente? É isso, o narrador não poderia estar mais feliz nesse momento. Como falar de si próprio não pega bem, fico por aqui. Só confirmo que ainda tenho uma certa dificuldade em memorizar o meu telefone, mas um dia chego lá. Vai té quando dé. Se não for isso é isso mesmo. Calangos sempre Calangos.

2 comentários:

  1. ahhh nada como a ruína das memórias e seu bittersweet.

    lembre para não esquecer e se esquecer, escreva um livro sobre. Nada como acordar ao lado do negão e em uma fração de segundos evocar o toque da sopa, o cheiro do afagar e o aroma de do veludo.

    Isso, meu amigo, é puro Cantinflas. hace que sofrir! toco e me voy! soy loco por ti! besame! dizia ele em sua motoquinha enquanto peregrinava pelas Américas ao som de Gael e os novos Baianos.

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  2. sim, AS Américas. Múltiplas, inúmeras, plurais, coloridas. Assim se compõe o devaneio de uma só.

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