3.
A amarração lógica do sistema, a sua, digamos, sistematicidade, impede que o vejamos senão como simulacro daquilo que deseja significar. Qualquer enunciação sobre “o sistema” logo é engolida pela coerência intrínseca da idéia, da qual é a presa embora acredite ser a crítica. Teorizar o sistema é vão: antes, ao explicarmos o sistema, estamos sistematizando a teoria. Nesse sentido, o capitalismo não gerou o individualismo, por exemplo, mas nele se realizou, e ainda se realiza, e nele também se insinua como potência. Por outro lado, o que denominamos individualismo adquire clara expressão, isto é, contemporaneidade, em relação à sua indumentária capitalista. Por isso é legítimo fazer a pré-história das formas capitalistas, dos modos como o passado assalta o presente, e vice-versa. Não se trata de resolver quem nasceu primeiro, o tédio ou a galinha, mas de dialetizar a dialética, flagrar o colapso do sistema para fazer emergir seus resíduos, seus acontecimentos, seu outro. Imaginemos uma experiência amorosa desprovida de contato e conseqüência: compreender o mundo através do sistema é a mesma coisa que fazer sexo virtual. Minha sugestão, e talvez meu equi-voco, consiste em propor uma falência lingüística operada no seio da cidade latifundiária; não a bancarrota cultural, bem entendido, mas o esgotamento da palavra que comunica justamente por estar seca. E compreender aqui se restringe ao efeito de superfície, jamais ao complexo de profundidade sociológica que tanto afeta os universitários. Minha hermenêutica libertou-se do método, mas aferra-se à verdade. Prefiro me ater aos padrões de sentimento, às imagens do cotidiano, e, o que dá no mesmo, confeccionar o barro da memória. Dito isso, o problema aqui não é que a palavra tenha assumido de vez sua “função” dentro do sistema, mas que as pessoas possam nisto acreditar, e viver conforme. Teríamos, assim, uma cultura da ineficácia cultural, onde passaríamos os dias anestesiados, quando anestesiar é o único jeito de passar os dias? O fardo maior de tal mundo é que ele funciona à revelia do sistema que julgamos determiná-lo. Porém, é próprio da palavra nutrir-se de paradoxos. Um belo dia a semente seca soterrada durante anos é alcançada pela chuva e renasce exuberante. Os pomares hão de renascer, porque a terra merece nossa feliz agricultura, e é preciso que voltemos a merecer a terra também.
A amarração lógica do sistema, a sua, digamos, sistematicidade, impede que o vejamos senão como simulacro daquilo que deseja significar. Qualquer enunciação sobre “o sistema” logo é engolida pela coerência intrínseca da idéia, da qual é a presa embora acredite ser a crítica. Teorizar o sistema é vão: antes, ao explicarmos o sistema, estamos sistematizando a teoria. Nesse sentido, o capitalismo não gerou o individualismo, por exemplo, mas nele se realizou, e ainda se realiza, e nele também se insinua como potência. Por outro lado, o que denominamos individualismo adquire clara expressão, isto é, contemporaneidade, em relação à sua indumentária capitalista. Por isso é legítimo fazer a pré-história das formas capitalistas, dos modos como o passado assalta o presente, e vice-versa. Não se trata de resolver quem nasceu primeiro, o tédio ou a galinha, mas de dialetizar a dialética, flagrar o colapso do sistema para fazer emergir seus resíduos, seus acontecimentos, seu outro. Imaginemos uma experiência amorosa desprovida de contato e conseqüência: compreender o mundo através do sistema é a mesma coisa que fazer sexo virtual. Minha sugestão, e talvez meu equi-voco, consiste em propor uma falência lingüística operada no seio da cidade latifundiária; não a bancarrota cultural, bem entendido, mas o esgotamento da palavra que comunica justamente por estar seca. E compreender aqui se restringe ao efeito de superfície, jamais ao complexo de profundidade sociológica que tanto afeta os universitários. Minha hermenêutica libertou-se do método, mas aferra-se à verdade. Prefiro me ater aos padrões de sentimento, às imagens do cotidiano, e, o que dá no mesmo, confeccionar o barro da memória. Dito isso, o problema aqui não é que a palavra tenha assumido de vez sua “função” dentro do sistema, mas que as pessoas possam nisto acreditar, e viver conforme. Teríamos, assim, uma cultura da ineficácia cultural, onde passaríamos os dias anestesiados, quando anestesiar é o único jeito de passar os dias? O fardo maior de tal mundo é que ele funciona à revelia do sistema que julgamos determiná-lo. Porém, é próprio da palavra nutrir-se de paradoxos. Um belo dia a semente seca soterrada durante anos é alcançada pela chuva e renasce exuberante. Os pomares hão de renascer, porque a terra merece nossa feliz agricultura, e é preciso que voltemos a merecer a terra também.
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