1. A redução das relações sociais a um processo de controle e reprodução biológicos é um dos sintomas e uma das condições da economia latifundiária. Renega-se o que é estranho ao universo canavieiro porque este emerge da pulverização do diverso. À restrição do trabalho a uma atividade monocórdia corresponde o estreitamento das possibilidades criativas e do espaço político. O trabalho é sucateado, também a linguagem. O racionamento dos códigos sociais em função de um cálculo de suposta naturalidade contribui à depauperada cristalização do pensamento e da expressão. Acredita-se em tal ordenamento como se ele também não estivesse sujeito às intempéries da ação, da intenção e do desejo humanos. Assim, a linguagem não seria mais um campo a ser conquistado (reinventado), mas um mecanismo autômato que passaria de pai para filho – a violência de nascer ou morrer prolongada. A linguagem deixaria de vigorar como experiência, assim como o trabalho deixaria de operar enquanto aprendizado. Haveria, então, meios de se referir a trabalho e a linguagem? Os fantasmas de uma sociedade latifundiária começam no defunto e renovam-se no recém-nascido.
domingo, 16 de agosto de 2009
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eu não tenho atividade mental suficiente pra ler mais de um post por dia. Pega leve porra.
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