sábado, 15 de agosto de 2009

Usineiros

Usineiros


Sua consciência imita os ponteiros do relógio

O mecanismo mais próximo da autonegação

Perdem a alma tão logo aprendem o negócio

Pouco meticuloso de queimar à exaustão

Os frutos verdes da terra, o fogo fértil do chão


Mas não lhes cabe o deserto das horas

Nem lhes pertence sua condição cadavérica

A praga esteriliza o solo, a fonte petrifica,

Seca rios fartos e o pomar da infância apodrece

Nada legará a promessa do açúcar a quem ignora:

Somente o trabalho da natureza permanece.


Talvez o que chamamos degradação

Não passa de um jogo

Entre homens satisfeitos com a morte.

Um comentário:

  1. Esse deve ter saido da velha Ariranha batendo forte no coração interiorano, certo?
    Mas gostei. Ficou bom. Até mandei para uma amiga que estuda economia canavieira (espero que não se importe).

    ResponderExcluir